quarta-feira, 26 de maio de 2010
Nada como uma história bem contada
Recentemente num desses milhões de comentários que a gente lê pela internet, avistei um daqueles que nos remete aos velhos tempos dos chavões ideológicos, sentando o pau na novela das oito da Globo que havia terminado num happy end geral pra todo mundo. A tal da novela da modelo deficiente físico. Nada contra a argumentação, muito pelo contrário. Mas me pareceu meio fora de hora, numa época em que temos a disposição centenas de canais de tv, acessando por cabo, satélite, computador e anteninhas variadas, com conteúdos de todos os tipos e para todos os gostos, sejam filmes, esportes, noticiários, seriados, programas sensacionalistas, desenhos animados, sexo explícito. Tem de tudo. Mas a tal da crítica da novela me levou a pensar. Ora, quem não gosta de uma boa história, bem contada, que prende o espectador. E nem é questão de tudo acabar num final feliz. Afinal, nem todas as histórias têm necessariamente que acabar em desgraça para serem boas. O cinema americano já mostrou como se faz, não é mesmo? Fotografia exuberante, roteiro bem estruturado, edição dinâmica, excelência na interpretação, argumentação verossímil, entre outros ingredientes são a chave de uma boa narrativa. Às vezes grandes histórias são desperdiçadas em narrativas falhas, enquanto outras não tão boas acabam até virando obras primas. Portanto, não acho que o maior pecado de uma novela televisiva seja, como disse a crítica internauta, a alienação do povo, a manipulação, a ostentação de personagens de um mundo irreal, distante da sociedade brasileira. Acho que o que vale mesmo é uma história bem contada, seja na tv, no cinema, no teatro, na literatura ou até mesmo num desfile de escola de samba. Afinal, apreciamos o belo, a arte.
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